25 outubro 2014

   É assim que te manténs entretida. Flirtando com este e aquele. Dá-te gozo usares o corpo e dois palmos de cara que tens para teu divertimento. Com culpados sorrisos inocentes e olhares indiscretos
sentas-te na esplanada, disposta a ser incomodada. Olhas em teu redor á procura da tua próxima presa. É assim tão desinteressante a vida que te dou para que tenhas
de fazer o que fazes? Suponho que sejas profissional nestes teus pequenos jogos. Há quanto tempo fazes disto desporto? Quantos já caçaste? Usas e deitas fora? 
   Só ainda não percebi porque não fui descartado. Precisas de alguém que te encha o vazio na cama? Como consegues sequer olhar para mim sem remorso? Não te achas culpada?
Sou assim tão cego que ainda não vi a falta de tudo o que tens por mim?

29 junho 2014

...ado.

Estado

Violado
Envergonhado
Pisado
Usado
Castrado
Fustigado
Enganado
Acabado
Inadaptado
Anulado
Enjaulado
Manipulado
Coitado
Encapuçado
Raptado
Machado
Estilhaçado
Magoado
Degradado

Cuidado
Indomesticado
Desalmado
Indelicado
Devastado
Complexado
Obcecado

Saturado

09 abril 2014

Em rima, desabafo #2

Voltaste aos velhos tempos suponho. És criatura de hábitos. Já pensaste em parar? Proponho. 
Não queria mudar-te, queria-te como és. Mas temo ter de transformar-te. Tenho tudo ao revés. 
Vejo mudança na tua intervenção, noto medo, opressão. 
Não é justo para mim quando te tornei o meu tudo. Ou será esta a moeda de troca, o fim, sem explicação, mudo.
Foste a minha perdição quando te vi, mas vejo que só agora tudo perdi.
Não quero ser aquele que te ocupa o vazio na cama quando mais ninguém está por perto. Que te ajuda no meio do drama.
Quero ser o único na tua mente, no teu coração. Quero estar sempre presente, não só para simular procriação. 
Não quero ser a sombra do que puderias ter tido. Não me tentes mudar, não sou lego para ser construído.
Quando falas comigo é o que realmente pretendes? 
Voltei aos velhos pensamentos, áqueles que me impedem de pensar com clareza, outrora enterrados, agora ressuscitados sentimentos.
A raiva apodera-se do meu ser. Dou voltas e voltas, não sei o que fazer. 
A mente, confusa, obscura dá resposta demasiado demente, Sento-me. Retorcido, doente. 
Entreguei-te o meu ser, demasiado cedo, talvez por não te querer perder, por medo.
A minha alma dispuseste a teu belo prazer. Com um acessório de moda que pudesses trazer.
Foi aí que errei contigo. Procurei protecção. Abri a porta do meu coração. Julguei-te o meu porto de abrigo.
Pensei seres o ideal. Conseguiste confundir-me. Não sei mais se é falso ou real.

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