19 agosto 2010

Intrigas de amor (parte 2)

No dia seguinte, como era hábito, às 5 da manha já todos estavam levantados, tinham comido e estavam na rua.

Rui pediu a Maria para dar um olhinho nos irmãos enquanto ele dava uma corrida pelo bairro, planeara um treino pessoal para fazer todos os dias antes de ir para o campo e para depois, independente do que iria fazer lá.

Correu durante meia hora, um pouco de cardio para que quando chegasse aos treinos já estivesse quente e pronto a dar tudo por tudo.

Às 6h estava de regresso, relaxou um bocadinho, enquanto via os irmãos a jogar á bola, e depois foram para o campo.

O treino começava às 7h em ponto, às 6.30h já lá estavam á porta, deixou os irmãos no centro e foi para os balneários preparar os equipamentos para o treino.

Às 7h já estavam a dar voltas ao campo. Começavam com 30 voltas ao campo para aquecer, Rui já o tinha feito pelo que não lhe custou entrar no ritmo certo.

Depois treinaram passes e jogadas combinadas, depois passaram aos livres e aos cantos, e por fim aos penaltis.

Tudo isto durou 1h30min, quando já estavam cansados o treinador preparou-lhe uma surpresa. Iam agora realizar um jogo amigável com um grupo de jogadores amadores da zona.

Ficaram todos decepcionados, todos menos Rui, levantou-se logo.

“Vá pessoal, bora lá, só assim consigo ver o que tenho como equipa, e escolher os meus jogadores.”- Disse Tiago, o Mister da equipa.

“Rui, jogas a médio ofensivo, do lado esquerdo, ok?”

“Claro que sim mister, vou dar o meu máximo.”

“Eu sei que sim.”

O jogo foi renhido, faltava ritmo á equipa e alguma organização, sendo o Rui a estrela do jogo.

Tinha marcado 2 golos e oferecido mais 2.

Jogava a médio esquerdo mas descaía muitas vezes para o centro, trocando de posições com o número 10, trocando assim as voltas ao adversário, e rematando muitas vezes.

No final o resultado tinha ficado 4-3 para a equipa da casa.

Estavam agora completamente estafados.

O treino tinha sido muito rigoroso, e tendo em conta que era o primeiro ainda mais.

Mas assim o treinador sabia quem estava ali a brincar e quem queria de facto estar ali.

No final do jogo, estavam já todos a dirigir-se aos balneários quando chamou Rui.

“Grande jogo que fizeste.”

“A sério? Obrigado”

“Sim a sério, gostei do pormenor da troca de posições com o Luís, muito bem pensado sim senhor.”

“Pensei que assim os adversários não ficassem a conhecer a técnica e pudesses ir trocando.”

“E pensaste muito bem, é isso mesmo, onde aprendeste?”

“Foi como meu pai, ele jogava quando tinha a minha idade e ensinou-me este pequeno truque.”

“Muito bem, deve ser um grande jogador então.”

“ Bem na verdade não, teve que desistir alguns anos depois, tinha conhecido a minha mãe e digamos que isso mudou o curso da vida de ambos.”

“Ok, bem, vai lá tomar banho, bom jogo”

“Obrigado mister.”

Rui tinha agora que lavar o equipamento dos colegas e arrumar os balneários, deixando já tudo preparado para o treino do dia seguinte.

O primeiro mês de treino foi o mais difícil de superar, os treinos diários, mais o que ele juntava antes e depois de cada um, estavam a deixar a sua marca. Rui chegava a casa e andava por ali meio adormecido até que depois do jantar se deitava e adormecia logo, acordava cedo e durante um bocado andava tipo zombie, meio adormecido.

O mesmo acontecia ao resto da equipa, tinham começado com 40 jogadores, e agora estavam agora reduzidos a metade.

Só os que realmente ali queriam estar se mantinham, todos os outros tinham desistido, ninguém foi expulso, saíram por livre e espontânea vontade.

Os irmãos estavam a gostar do centro, ali aprendiam a ler, a escrever, faziam actividades ao ar livre, estavam ali a aprender.

Os primeiros jogos oficiais aproximavam-se, começando então o que Rui tanto esperava, jogar oficialmente e ser visto pelas pessoas.

O primeiro jogo, apesar de terem ganho, foi uma decepção para ele, não havia mais que 30 pessoas nas bancadas, eram amigos, pais e irmãos dos jogadores.

O campeonato ia a meio e eles mantinham-se entre os 3 primeiros, estava a ser um campeonato renhido, Rui era sem dúvida nenhuma a estrela da equipa, corriam já rumores que ia ser rebuscado por um clube grande no próximo ano, mas ele não queria pensar nisso, estava ali para jogar e divertia-se a fazê-lo.

Num golpe de azar, Rui lesiona-se num treino, uma distensão no gémeo, impossibilitando-o de jogar nos próximos jogos, e até se arriscava a não jogar mais naquela época.

O médico aconselhou-o a descanso, algumas massagens e fisioterapia.

Rui estava devastado, tinha treinado demasiado para que aquilo lhe acontecesse, a equipa perdeu rendimento com ele impossibilitado de jogar, empatavam mais jogos do que ganhavam.

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